Mostrar mensagens com a etiqueta Percursos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Percursos. Mostrar todas as mensagens

domingo, 26 de abril de 2015

Caminhada em Brunhoso

No dia 19 de abril realizou-se em Brunhoso mais um passeio pedestre pelos caminhos que conduzem à fraga do Poio.
A actividade foi organizada pelos serviços da Câmara Municipal em colaboração com a Junta de Freguesia de Brunhoso. Como estava integrada num conjunto de caminhadas mensais no concelho, contou com um grupo assíduo de caminheiros, mas também com a população da aldeia que nunca diz não a atividades do género.
Apesar do estado do tempo não ser muito convidativo, choveu durante a noite, a manhã acordou quase sem nuvens. Mesmo assim houve quem jogasse pelo seguro, fazendo-se acompanhar de um guarda chuva.
 A concentração teve lugar junto à Casa do Povo e, pouco tempo depois da chegada do autocarro que transportou os caminheiros desde Mogadouro, foi dada ordem de partida , devo dizer, a grande ritmo.
Foram mais de 100 pessoas que partiram de Brunhoso em direção ao Poio.  A manhã estava luminosa, fresca e húmida e o passo era acelerado.
Quase ninguém parou para ouvir a tecedeira no seu incansável tear, na Fraga da Tecedeira. Os montes ainda não apresentavam a sua maior exuberância, mas está quase, com todas as estevas floridas, as arçãs, giestas brancas e pilriteiros a espalharem todo o seu perfume. Até apareceram até algumas orquídeas selvagens e ramos de raposa, mas só visíveis a quem seguia atento.
O grupo foi-se alongando, principalmente na subida do ribeiro de Juncaínhos  para a fraga do Poio, quando o sol já aquecia e o declive acentuado obrigava a um maior esforço.
No alto da fraga fez-se uma pausa. A Junta de Freguesia proporcionou um reforço composto por sandes, fruta e água.
Fomos surpreendidos com a distribuição de um bonito cantil em alumínio, com o brasão da freguesia gravado, a todos os participantes. É uma bonita (e útil), lembrança.
Quanto à paisagem, ela estava bonita como sempre. Olhando em direção ao Cachão ou à Barca, via-se claramente que o rio já subiu bastante, mas nada que impressione. Visto do alto do Poio o rio é muito pequeno e não se tem noção das alterações que se estão a verificar no leito do rio. Isso só é evidente quando nos aproximamos dele.
Distraí-me com as fotografias e, quando me apercebi, já quase todos tinham partido. O objectivo também não era chegar em primeiro a Brunhoso e fizemos o caminho de regresso em conversa animada, com um grupo de Brunhosenses da velha guarda.
Na fonte de juncais fizemos uma pausa para nos deliciarmos com a água fresca bebida pela corcha. A fonte foi limpa antecipadamente e foram disponibilizadas no local várias corchas, para que todos pudessem saciar a sua sede. Mesmo os que não tinham sede, posavam para as fotografias.
O grupo dos últimos chegou à aldeia pouco minutos antes do meio-dia.
Fez-se um compasso de espera. O almoço estava a ser ultimado na Casa do Povo pela Comissão de Festas de Sta Bárbara, que se juntaram à iniciativa e também procuraram angariar alguns euros para a festa de verão.
Da ementa constou churrasco misto, batatas a murro, acompanhados por salada de tomate e alface. Como bebidas havia água, refrigerantes e vinho. À sobremesa, fruta.
O almoço decorreu num ambiente de festa, de são convívio juntando mais de 160 pessoas. A azáfama na cozinha era muita mas ninguém estava com pressa e tudo foi saboreado com muito prazer. Estava tudo óptimo, até as pequenas malagueta que o Sr. Barranco levou no bolso.
Antes do final da festa ainda tivemos mais uma surpresa: um enorme bolo de aniversário e um coro a cantar os parabéns a um caminheiro que fazia 50 anos. Foi um final muito doce.
Soube bem reviver outras caminhadas ao rio, realizadas noutros moldes, em boa companhia e com boas "merendas". O dia esteve fantástico e todos os responsáveis deram o seu melhor para satisfazer os Brunhosenses e por receber bem quem nos visitou.
Obrigado a todos e em especial aos elementos da Junta de Freguesia.
Aníbal Gonçalves

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Caminhada dos Gorazes (2013)

Das muitas visitas que tenho feito ao concelho de Mogadouro, houve uma especial de que me apetece mostrar algumas imagens: foi aquando da Feira dos Gorazes, a treze de Outubro de 2013.
A feira é um grande acontecimento, para a vila, para o concelho e mesmo para a região.  Na impossibilidade de estar presente mais de que um dia, escolhi o dia da caminhada (e BTT), para assim matar dois coelhos de uma cajadada só: visitar a feira e fazer uma caminha À Descoberta de mais um pouco do concelho.
A inscrição foi online e gostei. Organização e atendimento 5 estrelas. Tenho participado em eventos semelhantes noutros concelhos e por vezes complicam demasiado as coisas.
No dia da caminhada fui o primeiro a chegar. Dormi em Miranda do Douro e com a preocupação de não chegar atrasado, fui o primeiro a chegar. Não me incomodei com isso, o objetivo era tirar fotografias e os ciclistas já estavam em campo, serviram de modelo.
Constituiu-se um bom grupo e após a partida dos ciclistas, saíram os caminhantes em direção ao castelo. Não fazia ideia do percurso, mas com exceção do termo de Remondes, Brunhoso e Paradela, para mim servia qualquer um, porque não conheço nada mais do que a estrada de acesso às aldeias.
Seguimos em direção ao castelo e depois para o Penedo. Saímos da vila em direção ao marco geodésico do Penedo (777 metros de altitude). Por coincidência ainda tinha estado nesse lugar há pouco tempo.
Reforço em Figueira
Desse lugar em diante tudo seria novidade. Os participantes seguiam a passo certo, não muito rápido, mas mais largo do que passeio. Tirar fotografias equivale a ficar para o fim do "pelotão" num abrir e fechar de olhos, mas já estou habituado a que isso me aconteça.
No grupo seguiam velhos amigos, que não via há algum tempo. Assunto de conversa não faltava e quando me apercebi estávamos a chegar a Figueira.
Reforço em Figueira
No centro da aldeia esperava-nos o reforço. Caminhar abre o apetite e pedalar ainda mais. Ainda tirei algumas fotografias nos arredores da capela, mas não me queria distanciar do grupo.
Parti apressado em direção à igreja, já sem ninguém à vista. Imaginei-me a subir ao alto da serra de Figueira, a beleza das paisagens dali se avistariam. mas não aconteceu. O percurso contornou a serra por sul, passou por baixo do IC5 e continuou até Zava.
Igreja Matriz de Figueira
De Zava apenas conhecia as casas ao longo da estrada (N221) e foi bom verificar que há muito mais para conhecer. Fiquei com vontade de voltar a Zava e dar uma passeio pela aldeia.
Contornámos também pelo sul a Serra de Zava, com mais de 800 metros de altitude, e seguimos para uma zona conhecida por Maçaina e depois para as Águas Férreas. Já se notava algum cansaço e começámos a pensar que o percurso não seria aquele. Seguimos o trajeto do BTT mas já estávamos para além da distância programada para o passeio e ainda estávamos a alguns quilómetros de Mogadouro.
Bovinos de raça Mirandesa
Reencontrámos a Ribeira do Pontão no Porto da Fraga e seguimos ao seu lado à estrada. E foi pela estrada que regressámos ao centro de Mogadouro.
Contas feitas foram pouco mais de 14 quilómetros, sem grande esforço, que terminaram exatamente à hora de almoço.
Zava
No mesmo restaurante juntaram-se os participantes da caminhada, os ciclistas e alguns ranchos folclóricos que iriam atuar durante a tarde. A refeição que deveria ser um momento "saboroso" de descontração, foi o momento mais apressado e desinteressante. Teria sido melhor, até para os restaurantes que a organização tivesse repartido as pessoas por vários estabelecimentos.
A feira esperava-me, ou melhor, o festival de folclore, porque era essa a atividade que eu estava interessado em acompanhar.

Traçado do percurso feito:
 GPSies - Caminhada Gorazes 2013

domingo, 5 de junho de 2011

Caminhada à Barca / Brunhoso

No dia 29 de Maio passado realizou-se em Brunhoso uma caminhada, tendo como destino o Rio Sabor, no lugar da Barca. Esta iniciativa inseriu-se no programa de caminhadas de fim de mês, organizadas pelo Ginásio Municipal, desta vez no termo da freguesia de Brunhoso e com a colaboração da Junta desta freguesia.
Este tipo de actividade já não são novidade em Brunhoso, mas, desta vez, contou com a organização de uma instituição externa, de âmbito concelhio, que chamou participantes de variadas origens, ultrapassando mesmo as fronteiras do concelho. O próprio Presidente da autarquia fez questão de realizar este bonito percurso pedestre.
A caminhada teve início às 9:30, junto à sede da Junta de Freguesia, com mais de uma centena de participantes. Pela frente perto de 8 km, na totalidade por caminhos vicinais desde os quase 700 metros de altitude até aos 200 metros, junto ao rio Sabor. Tratava-se, portanto, de um percurso quase na integra em descida, com as paisagens mais agrestes e mais bonitas da freguesia.
 O percurso tinha um traçado paralelo à ribeira de Juncaínhos, a meia encosta, por entre frondosos sobreiros e alguns olivais. Apesar da força da floração primaveril já ter passado, não faltam flores de várias cores para darem mais colorido e perfume à caminhada.
Quando se passou sobre a ribeira de Juncaínhos houve algumas centenas de metros de íngreme subida, mas valeu a pena. Do alto da fraga do Poio tem-se uma visão magnífica em direcção ao Sabor. Avista-se o Cachão, o Picão, a Barca e terras de outras freguesias como Paradela, Vilar Chão, Castro Vicente e Remondes. Para muitas pessoas esta foi a primeira vez que tiveram esta visão, e será a última, uma vez que esta paisagem está prestes a ser destruída.
A Junta de Freguesia de Brunhoso, com o apoio de alguns emigrantes no Brasil, melhorou os acessos à fraga e construiu um miradouro, que permite usufruir desta visão magnífica sem grande esforço e com alguma segurança.
Neste local foi fornecida água e fruta, aos participantes da caminhada.
Os últimos quilómetros foram feitos em descida acentuada até ao lugar da Barca. Tal como o nome indica, deve aqui ter existido uma barca, possivelmente muito utilizada no Inverno, uma vez que há em redor muitos olivais. São ainda visíveis no leito do rio as estruturas de um açude, mas já nada resta do antigo moinho.
Além de uma pequena praia com areia, e um bom local para banhos, rapidamente aproveitadas pelos mais novos e afoitos, há, a poucos metros, um enorme sobreiro que já emprestou a sua sombra para eventos semelhantes. Sob a sua copa foram montadas as mesas para servirem a refeição que a Junta de freguesia ofereceu a todos os participantes. Arroz, frango e barriga de porco assada foram algumas das opções servidas.
O regresse à aldeia fez-se em carrinhas todo-o-terreno, mas não sem antes fazerem uma visita às prospeções arqueológicas feitas no meio do olival. Nas covas abertas são bem visíveis restos de construções e muita cerâmica, sobretudo tégulas, aparecendo algumas quase inteiras! São vestígios romanos ou um pouco posteriores, mas que poucos sabiam da sua existência.
Estão de parabéns a Câmara Municipal pela iniciativa da realização destes eventos, a Junta de Freguesia de Brunhoso pelo apoio prestado e todos os participantes por aderiram a esta forma desportiva, ecológica e divertida de passar o dia.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Ao longo do Rio Sabor

Já há algum tempo que acalento a ideia de fazer algumas caminhadas ao longo do curso do Rio Sabor e do Rio Tua, principalmente nos troços que a EDP pretende afogar. Se no Rio Tua a coisa tem sido fácil, utilizando a Linha do Tua como percurso, no Rio Sabor as caminhadas são mais complicadas e não têm acontecido como o desejado. Já fiz muitas caminhadas no termo da freguesia de Brunhoso e no dia 13 de Outubro de 2009 visitei Silhades, na freguesia de Felgar.

Recebi o convite de uma amigo para fazer o reconhecimento de um percurso no termo das freguesias de Remondes e Brunhoso. Mesmo com algumas dificuldades de agenda, no dia 2 de Abril rumei para Brunhoso, para fazer o percurso no dia seguinte.
Deslocámo-nos de automóvel para a ponte de Remondes, no dia 3 de Abril, 4 pessoas, para fazermos o reconhecimento de um trajecto de cerca de 8 quilómetros para jusante. O dia estava agradável, quente e com alguma neblina. Da extremidade do tabuleiro da ponte parte um caminho bastante bom e muito utilizado pelos agricultores para acesso às oliveiras, por onde seguimos.

No primeiro quilómetro o declive é bastante acentuado, ainda com a ponte à vista, mas depois o caminho mantém-se praticamente entre os 300 e os 400 metros de altitude durante alguns quilómetros.
A minha atenção dividiu-se entre a paisagem para o rio e a flora que ladeava o caminho, bastante florida, por sinal.

Entre madressilva, medronheiros, espargos, bucho e outros afins, fui descobrindo algumas plantas que me não estava muito habituado a encontrar. A certa altura pareceu-me ver uma orquídea, mas não quis acreditar. Nunca tinha visto uma orquídea selvagem e, depois de mais de uma década a caminhar nesta zona sem nunca ter observado nenhuma, não me pareceria que as fosse encontrar. Mas enganei-me. Pouco depois encontrei outra planta, mas, esta, em flor. Não tive mais dúvidas eram mesmo orquídeas selvagens. Por informação que recolhi posteriormente, trata-se da espécie Ophrys-Scolopax, por sinal bastante bonitas. Encontrei mais de uma dúzia de pés de orquídeas, ainda no início da floração, distribuídos por dois locais. Embora tenha tido muita atenção no resto do percurso, não voltei a encontrá-las. Vi muitas vezes o Jacinto-dos-campos (Scilla monophyllos), também bastante bonitos.

Na encosta em frente, no outro lado do rio corria um ribeiro em pequenas cascatas de espuma branca. Vem de Castro Vicente. Descemos um pouco e aproximámo-nos mais do rio. Uma lápide em mármore no berma do caminho lembrava alguém falecido. 
Perto do meio-dia estávamos a chegar junto das casas que existem no Azinhal. Eu procurava afincadamente ramos de raposa ou rosa albardeira (Peonia broteroi). Encontrei, por fim, alguns pés, mas ainda não estavam em flor.
A hora de almoço aproximava-se e notei algum desalento nos meus acompanhantes. Passou por nós uma pickup. Questionámos o condutor sobre um caminho que nos conduzisse à Barca, já no termo de Brunhoso, mas o condutor não nos soube orientar. Decidimos aproveitar a boleia e seguir em direcção a Remondes.

Segui com o grupo até uma zona chamada Amedo, mas os meus planos eram outros. Estava preparado para caminhar até ao fim do dia e não estava disposto a ficar-me pela manhã. Despedi-me dos colegas e comecei a descer em direcção ao rio. A certa altura achei que o reconhecimento do caminho não estava a ser feito em condições e volteia pé ao ponto onde apanhámos boleia na pickup. Era uma da tarde quando aí cheguei. Aproveitei para comer alguma coisa enquanto explorava o espaço onde situam as construções. Este foi um local importante de trabalho para muita gente de Brunhoso e Remondes. No Azinhal trabalhavam por vezes grupos de 60 pessoas, no pico da apanha da azeitona. Toda a encosta está repleta de oliveiras, muitas delas ainda cultivadas. As construções onde viviam os caseiros e alguns trabalhadores estão agora bastante deterioradas. Apesar de aqui não haver luz eléctrica pereceu-me haver cabos para telefone! O local é bastante acolhedor, com muita sombra, água e uma fonte bastante engraçado de onde dizem que brota sempre água fresquinha.

Depois de um curto descanso, retomei a busca do caminho a seguir para chegar à barca. Não me foi difícil encontrá-lo. Menos de um quilómetro à frente consegui já avistar o rio, a Barca, o Picão, o Poio e todos os montes já meus conhecidos. Senti-me em casa.
Pouco depois encontrei uma variedade de cistus florida, creio que era o Cistus cripus.
Às duas horas da tarde cheguei à barca. Tinha percorrido 8 quilómetros e já sentia algum cansaço. Cada vez havia mais nuvens, mas sempre que o sol aparecia queimava a pele.
O meu objectivo era apanhar boleia numa carrinha que devia estar no Picão com algumas pessoas a deitarem herbicida nas oliveiras. Quando atingi o alto deste cume, depois de muito esforço, avistei ao longe a carrinha que já tinha partido em direcção à aldeia. Como o telemóvel não funcionou, limitei-me a vê-la desaparecer ao longe.

Não restou outra alternativa senão caminhar até Brunhoso. Foram mais alguns quilómetros por caminhos já bastante conhecidos e com pouca disposição para mais fotografias. A tarde foi ficando cada vez mais cinzenta e o céu perdeu toda a cor.
Mesmo sem estar previsto, caminhei mais de 15 quilómetros! Valeu-me a experiência, porque vou sempre preparado com comida e água para qualquer eventualidade. Como a caminhada se destinava ao reconhecimento do percurso, o objectivo foi atingido, bastava agora esperar que no dia 24 de Abril, já com muitos participantes, as condições atmosféricas estivessem de feição. Desse dia vou dar notícias brevemente.

Mapa do percurso