segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Viduedo

Quando optei por colocar esta fotografia na Internet, procurei alguma informação sobre Viduedo. Pouco mais consegui saber do que se trata de um lugar pertencente à freguesia do Azinhoso, no concelho de Mogadouro. Na manhã em que visitei Viduedo estava frio, muito frio. Fica prometido um regresso, para que esta pequena localidade conquiste também um lugar honrado no espaço virtual.

Região encena tradições pagãs para obter fortuna nas colheitas

Turismo cultural e mitológico
Região encena tradições pagãs para obter fortuna nas colheitas

Ao longo dos séculos, as figuras pagãs dos rituais de solstício de Inverno continuam a ser vividas com bastante intensidade no nordeste transmontano. Os concelhos de Vinhais, Bragança, Mogadouro, Macedo de Cavaleiros e Miranda do Douro são alguns dos locais mais procurados por pessoas que se deslocam de todos os locais, à descoberta destes ritos de iniciação e fertilidade, numa espécie de turismo cultural e mitológico.

Estes rituais e mistérios pagãos conseguiram mesmo, ao longo dos tempos, sobreviver às leis da Igreja que os chegou mesmo a proibir, mas a vontade popular era tanta que o paganismo conseguiu sobrevir às leis do cristianismo.

No fundo todos estes rituais são festividades agrárias essenciais para a manutenção das comunidades rurais dada a superstição das gentes do campo.

Na década de 50 e 60 do séculos passado, os Carochos, Belhas, Farandulos, Sécias e Moços, estiveram mesmo à beira da extinção, dada a falta de pessoas, devido à forte emigração que assolou a região.

A aldeia de Constantim, concelho de Miranda do Douro, é uma das localidades nordestinas onde este "Inverno Mágico" se vive com pureza e tradição. A festa das Morcelas ou da Mocidade, dedicada a São João Evangelista é um dos exemplos mais emblemáticos destes rituais que se prolongam até ao dia de Reis.

Ainda o sol não tinha nascido, numa manhã fria de Inverno como a de ontem, onde a forte geada cobria a paisagem, já se ouvia o primeiro foguete a anunciar a alvorada, sinal do início da festa.

Os actores principais, Carocho e Sécia, saem à rua, à procura de esmola para o jovem Santo, sempre acompanhados do toque de gaita-de-foles caixa e bombo. Os pauliteiros são outros dos intervenientes.

"A simbologia das figuras assenta na família tradicional, onde o pai e mãe são incarnados nas figuras do Charolo e da Sécia que procuram esmola para a subsistência familiar já que se aproxima um Inverno rigoroso. O Charolo anda de casa em casa com uma espécie de pinça gigante nas mãos à procura de peças de fumeiro quando as coisas não lhe correm de feição lá vai uma das suas investidas no intuito de amedrontar os menos atentos. As pessoas que colaboram e os pauliteiros retribuem com uma dança em sinal de agradecimento pela esmola", explicou Aureliano Ribeiro, um dos zeladores da tradição. Este ritual repete-se por toda aldeia.

As peças de fumeiros e outros produtos agrícolas recolhidos, são depois ingredientes para uma ceia comunitária que se serve hoje à noite e para a qual ao longo da ronda foram sendo convidados os comensais.

A tradição começa em Bruçó, Mogadouro, logo pela manhã do dia de Natal. Dois casais saem à rua. Por um lado o Soldado e a Sécia, por outro, um par de Velhos, todos eles mascarados e vestidos a preceito.

Seja qual for a origem, é de manhã cedo que as pessoas que vão incarnar as figuras do ritual se reúnem em casa da mordoma-mor para assumir os respectivos papéis que desempenharam ao longo de toda a manhã num verdadeiro corrupio desgastaste, já que para vestir os trajes são escolhidos os rapazes mais atléticos de cada geração.

Já na rua as personagens ganham vida própria e os actores começam a função, a Sécia, sempre protegida pelo Soldado é uma mulher "mundana e de vida fácil" e que leva ao colo uma boneca que simula um bebé.

Ao longo de todo o jogo vai sendo assediada pelos rapazes com mais coragem, já que o valente Soldado para proteger a sua dama atira umas valentes "cinturadas" com um cinturão de cabedal grosso no corpo de quem provoca a sua amada.

Francisco Pinto in JN, 2007-12-30
Visto em: Diário de Trás-os-Montes

Preço da azeitona aumentou registando-se uma razoável redução da produção


Campanha Olivícola 2007/08
Preço da azeitona aumentou registando-se uma razoável redução da produção

A Campanha Olivícola encontra-se em plena produção e a colheita decorre com normalidade, registando-se apenas uma razoável redução da produção, na ordem dos 30% em relação ao ano anterior, tal como tem vindo a ser afirmado nas últimas semanas.

Estima-se que a produção regional ultrapassou já os 16.169.468 Kg de azeitona laborada o que corresponde a mais de 2.601.776 litros de azeite produzido o que corresponde a um rendimento médio de 16,09%.
Os dados que fornecemos referem-se a informações obtidas junto dos transformadores/lagares da região, de análises independentes e resultam de médias apuradas com base em diversas unidades de transformação, não representando nenhuma unidade em específico.

Vimioso - Rendimento 17% (litro) - Acidez <0,7;>16% (e m litro) - Qualidade Virgem Extra;
Vilariça - Rendimento 16% (litro) - Acidez um pouco elevada;
Valpaços - Rendimento 16% (litro) - Qualidade Virgem Extra;
Sabrosa - Rendimento 17% (litro) - Acidez <0,7;
Murça - Rendimento 16% (litro) - Qualidade Virgem Extra;
Macedo de Cavaleiros - Rendimento 17% (litro) - Qualidade Virgem Extra;
Vila Nova de Foz Coa - Rendimento 15% (litro) - Qualidade Virgem Extra;
Mogadouro - Rendimento 15% (litro) - Acidez <0,4;

O rendimento médio e os valores de produção situam-se em valores inferiores aos obtidos em anos anteriores e a qualidade do azeite vai ter tendência a diminuir com o decorrer da campanha.

Existem zonas como Moranda do Douro onde a campanha já terminou e outras zonas como Vila Real onde a campanha apenas se iniciou neste últimos dias.

A AOTAD continua a prestar apoio à implementação do HACCP em mais de 70 lagares da região, contribuindo de forma clara para a garantia da qualidade e segurança alimentar nas unidades transformadoras.

Este ano foram realizados investimentos em aplicações informáticas para apoiar as tarefas de implementação mas também de rastreabilidade.

Tem sido ainda facilitado aos aderentes o acesso a empresas prestadoras de serviço que garantem a realização das diversas tarefas de auto-controlo ambiental.

No Domingo, dia 30 em Valdigem (Régua) será realizada uma acção de formação para lagares aderentes, no dia 6 de Janeiro será realizada em S. João da Pesqueira e na semana seguinte em Mirandela.

Estas acções de formação destinam-se a garantir a qualificação contínua em segurança alimentar de operadores e proprietários de lagares.

Durante o mês de Janeiro será realizada mais uma sessão de treino do Painel de Provadores de Azeite de Trás-os-Montes que está actualmente em constituição e formação, sendo esta sessão dedicada à avaliação da qualidade organoléptica dos azeites da presente campanha.

O preço da azeitona aumentou ligeiramente para os 45 cêntimos em média por quilo, enquanto que a prestação de serviços de transformação aumentou também ligeiramente para 17 a 18 cêntimos por quilo de azeitona, tendo em conta alguma dificuldade de resposta de algumas unidades.

Reafirma-se que o azeite regional está a ser negociado abaixo do seu real valor, essencialmente comercializado a granel sem considerar a sua qualidade e a escassez de produção.

2007-12-30
Visto em: Diário de Trás-os-Montes

domingo, 30 de dezembro de 2007

Igreja de Santa Maria de Azinhoso


Igreja românica composta por nave e capela-mor. Esta estrutura arquitectónica está classificada como Imóvel de Interesse Público. Os elementos que merecem maior destaque são a sua fachada frontal com um portal constituído por arquivoltas ligeiramente quebradas, e as portas laterais orientadas no sentido norte e sul. Os elementos decorativos adquirem maior riqueza na porta sul, composta por um conjunto de três arquivoltas ornadas por uma plástica marcadamente românica. De salientar a cachorrada da nave do edifício, onde desfila um conjunto de representações com grande variedade temática. Junto à igreja ainda se detectam alguns elementos que integravam as ruínas da alegada residência do arcebispo de Braga. Em articulação com este templo estão algumas sepulturas rupestres, actualmente soterradas, mas que integram uma necrópole detectada aquando de obras e terraplanagens efectuadas no largo confinante com o canto noroeste do templo (Lemos: 1993: IIa, p. 273, nº 351).
Fonte: IPA

sábado, 29 de dezembro de 2007

Produção de azeite diminui

Campanha Olivícola com menos azeitona, mas a qualidade do azeite mantém-se

Este ano, a produção de azeite em Trás-os-Montes regista uma diminuição significativa, mas mantém a qualidade que lhe é característica.

Segundo a Associação dos Olivicultores de Trás-os-Montes e Alto Douro (AOTAD), o ataque de algumas pragas e a fraca adesão dos agricultores à antecipação da campanha estiveram na origem da quebra.
A Cooperativa de Olivicultores de Valpaços e alguns lagares da região ainda ofereceram prémios de produção para quem apanhasse o fruto mais cedo, mas a maioria dos homens da lavoura optou por começar a campanha mais tarde e há muita azeitona que já se encontra no chão.
A par da diminuição da produção, o preço também sofreu um decréscimo, dado que, este ano, o quilo da azeitona é pago a 0,40 euros, um valor que terá influência na comercialização do azeite regional.
No início da campanha, a AOTAD avança que o rendimento da azeitona oscila entre os 14 e os 19 por cento, enquanto a acidez média varia entre os 0,3 e os 0,5 por cento.
O processo de transformação do fruto é, igualmente, uma preocupação da associação, que tem levado a cabo acções de sensibilização para realçar a importância da adopção de procedimentos de segurança alimentar, nomeadamente da implementação do HACCP.

Agricultores sensibilizados para deixarem de usar sacos reutilizáveis na apanha da azeitona

No passado dia 27 de Novembro, a AOTAD reuniu mais de 100 lagareiros na Cooperativa dos Olivicultores de Valpaços, onde representantes da Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE) e da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte (DRAPN) elucidaram os industriais sobre as práticas legais.
Para melhorar o processo de transformação, 129 unidades modernizaram o espaço e a maquinaria, para conseguirem o licenciamento. Além disso, a AOTAD está a implementar o HACCP em 66 lagares, através de apoio técnico e formação.
Os olivicultores, contudo, também podem contribuir para a melhoria da qualidade do azeite, deixando de utilizar sacos na recolha da azeitona e passando a utilizar embalagens adequadas ao armazenamento de produtos alimentares.

AOTAD analisa reforma rural

O Programa de Desenvolvimento Rural (PDR) prevê algumas alterações para o sector do azeite, nomeadamente ao nível ambiental.
O documento prevê o financiamento do transporte e armazenagem de afluentes, o que leva a AOTAD a supor que o tratamento será realizado pelas Águas de Trás-os-Montes ou, eventualmente, pelas Águas do Norte.
Perante esta situação, a associação alerta para o facto de concelhos como Valpaços, Murça, Alijó, Carrazeda de Ansiães ou Freixo de Espada à Cinta ficarem excluídos deste apoio, uma vez que não são consideradas zonas prioritárias na Estratégia Nacional para os Afluentes Agro-Pecuários e Agro-Industriais.
No que toca ao apoio a projectos estratégicos de valorização da fileira do azeite, a AOTAD garante que está a fazer uma avaliação criteriosa do PDR para defender o financiamento deste sector agrícola.

Teresa Batista, Jornal Nordeste, 2007-12-28

Visto em: Diário de Trás-os-Montes

É manhã, no Planalto


Quando os primeiros raios de sol tocam as gotas de orvalho ou os cristais da geada, milhares de reflexos espalham uma luz mágica. Ao longe, na linha do horizonte, está Mogadouro.

Mogadouro - Arrancou a recuperação do castelo medieval da vila


Arrancaram as obras de recuperação do castelo medieval da vila de Mogadouro. A iniciativa cabe ao Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico/Direcção Regional de Cultura do Norte (IGESPAR/DRCN) e visa a consolidação das estruturas defensivas e inclui a reabilitação da torre de menagem, criação de infra-estruturas eléctricas (iluminação do monumento), regularização de traçados e uniformização do coberto vegetal.

Numa fase da empreitada proceder-se-á a um arranjo dos espaços exteriores, acompanhada por escavações arqueológicas. Ao que foi possível apurar junto do IGESPAR/DRCN, o que resta do pano de muralhas da antiga fortaleza está em fase de estudo para uma regularização de cotas que permitirá clarificar a sua leitura. Na torre de menagem, as obras passam pelo tratamento da cobertura, panos exteriores de paredes, e uma intervenção ao nível das escadarias, janelas e caixilhos em madeira.

Este projecto de recuperação contempla ainda a instalação de sinalética que permita uma leitura facilitada dos diversos espaços e das suas relações. Esta intervenção pretende contribuir para a uma melhoria das condições de fruição do castelo e zona envolvente, quer enquanto espaço de bem-estar, quer como repositório de memórias. O valor previsto das obras rondará os 150 mil euros.

A zona histórica da vila de Mogadouro "é uma prioridade", com esta beneficiação pode traduzir-se na reconstrução da memória colectiva de um povo, explorando um pouco da história do país desde os alvores da nacionalidade.

O castelo templário de Penas Roías, situado na aldeia com o mesmo nome, vai igualmente sofrer uma intervenção que vai permitir a construção de acessos à velha fortaleza, para assim permitir a passagem dos turistas e estudiosos que visitam o monumento.

Francisco Pinto in JN, 2007-12-28
Visto em: Diário de Trás-os-montes
Fotografias: Aníbal Gonçalves

Património arqueológico ameaçado

Caçadores de tesouros andam a destruir o património arqueológico de Trás-os-Montes, denuncia o responsável pelo Instituto do Património Arquitectónico e Arqueológico da região.
Luís Pereira admite que os “Indiana Jones” à portuguesa invadem ilegalmente locais de importância histórica.
“Fazem-se acompanhar de um detector de metais e onde o aparelho dá sinal eles abrem um buraco, o que é uma acção altamente destrutiva para um sítio arqueológico”, acusa o responsável.

Visto em: Rádio Renascença

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Alojamentos turísticos em Bemposta

Peredo de Bemposta - Mogadouro

Dois antigos edifícios públicos situados na freguesia de Peredo de Bemposta, Mogadouro, estão a sofrer uma intervenção de fundo que os vai transformar em alojamentos turísticos de qualidade, dentro de um ano.

O edifício da antiga Escola Primária e do antigo quartel da Guarda Fiscal estão a ser aproveitados para a construção três apartamentos do tipo T2. O investimento ronda os 160 mil euros, sendo co-financiados por fundos europeus.

O projecto contempla, ainda, a construção de uma piscina ao ar livre, existindo já, no local, um polidesportivo sintético com medidas para a prática de várias modalidades desportivas, além de um amplo espaço de jardinagem.

"Peredo de Bemposta é uma localidade muito procurada por pessoas que se dedicam à caça e pesca e está inserida em pleno Parque Natural do Douro Internacional, um destino turismo de excelência no concelho de Mogadouro,"explicou o autarca.

A aldeia está separada do rio Douro por cerca de quatro quilómetros, estando já dotada de cais de embarque que permite a atracagem de embarcações de recreio.

" Há já dois empresários oriundos das localidades espanholas vizinhas de Peredo de Bemposta interessados em criar no local uma empresa de dinamização turística com colocação de uma embarcação de transporte de turistas," afiançou António Pimentel.

Francisco Pinto in JN, 2007-12-20

Visto em: Diário de Trás-os-montes

Caçadores de tesouros invadem a região

Caçadores de tesouros andam a destruir património arqueológico da região. Indivíduos munidos de um detectores de metais e pás andam a fazer escavações em sítios arqueológicos de grande relevância, como é o caso da gruta de Dine, no concelho de Vinhais. A denúncia é feita por Luis Pereira, do IGESPAR – Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico. Este responsável adianta que os “Indiana Jones” à portuguesa andam à procura de moedas e outros metais.

Luis Pereira adianta que por norma este tipo de crime é cometido pela calada da noite, por três ou quatro indivíduos, com idades compreendidas entre os 30 e os 40 anos. Foi esse o relato que lhe chegou no caso da gruta de Dine. Este tipo de actividade é considerada crime e é punida com pena de prisão. As escavações ilegais têm ocorrido nos últimos anos e têm vindo a intensificar-se. Por norma, estes locais estão em zonas isoladas, o que torna mais difícil a deteção dos caçadores de tesouros.

Visto em: RBA