O terceiro e último dia do Festival Terra Transmontana prometia estar ao nível dos anteriores, pelo menos no aspecto musical, uma vez que o resto era uma incógnita.
Cheguei ao recinto do festival a meio da tarde. Fui brindado pela actuação do Rancho Folclórico e Etnográfico de Mogadouro. É sempre uma alegria ver e ouvir este rancho cheio de cor e juventude. O recinto estava bem composto de público e as condições atmosféricas também estiveram a feição.
Fui surpreendido por uma oficina sobre a gaita de foles. Foi bastante interessante. Gostava de ter assistido a outras oficinas mas não me apercebi onde e quando ocorreram.
Na Praça da Misericórdia organizou-se um desfile que conduziu o público para uma espécie de campo de jogos medievais, ou liça, na linguagem da época. Os duelos a cavalo e a pé concentraram a atenção do público, que os seguiram com bastante entusiasmo. Um suposto cavaleiro das terras de Mogadouro angariou as preferências de muitos dos presentes, mas a luta foi renhida.
Após esta representação de artes de guerra seguiu-se uma demonstração de cestraria. As aves amestradas mostraram toda a sua agilidade obediência, arrancando palmas e algumas gargalhadas.
Terminadas estas demonstrações, pelas sete da tarde, começou o desmantelamento de muitas estruturas e a desmobilização da totalidade dos figurantes.
À noite o recinto parecia um local fantasmagórico sem música nem luz, só ganhando vida com a chegada do grupo Velha Gaiteira, que, tal como no dia anterior, agarrou o público com a sua música.
O grupo Uxu Kalhus foi um dos motivos de força para eu ter ido ao festival. Contrariamente ao que tina sucedido na noite anterior as execuções ao vivo estiveram muito acima daquilo que recordava dos registos gravados. Ainda mais surpreendente foi a postura da vocalista que interagiu com o público, incitando à dança e dançando ela própria.
Muitas canções conhecidas, algumas da infância, desfilaram pelo Castelo com uma roupagem muito musical, moderna e atractiva. O pouco público ficou "agarrado" até ao fim e fizeram o grupo voltar ao palco e repetir "Erva Cidreira" e "Extravagante".
Foi um final em cheio, que só alguns conseguiram saborear até à última gota.
O balanço dos três dias de Festival foram francamente positivos, embora nem tudo tenha sido do meu agrado, nem podia ser.
Já li nalguns jornais e noutros blogues algumas ideias que podem vir a melhorar o evento, numa repetição, no próximo ano. se tiver tempo, e paciência, também talvez alinha alguns pontos fortes e pontos menos fortes nos três dias de festival. Até porque fiquei com perto de 2000 fotografias e alguns pequenos filmes que poderei ir mostrando nos próximos tempos.
Ver também:
Festival Terra Transmontana 1/3
Festival Terra Transmontana 2/3
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domingo, 27 de julho de 2014
sexta-feira, 25 de julho de 2014
Festival Terra Transmontana 2/3
O segundo dia do Festival Terra Transmontana prometia ser ainda mais completo e empolgante do que o primeiro, que teve o seu início apenas ao final da tarde.
Uma das características deste festival foi o de que, à parte os concertos pela noite dentro, tudo o resto aconteceu com uma ordem e horário desconhecido do público, pelo que foi difícil acompanhar os acontecimentos.
No primeiro dia do festival fui ao secretaria em busca de um programa mais detalhado, mas não consegui mais do que o que já tinha conseguido na Internet.
A meio da tarde o céu escureceu e choveu com muita intensidade durante bastante tempo. Serviu-me de abrigo a torre do castelo. Nunca esperei tal utilidade, mas aproveitei o tempo para alinhar algumas fotografias.
Terminada a chuva o recinto estava encharcado e desértico, mas rapidamente ganhou vida. A tenda da Taberna/restaurante serviu de salão para a actuação dos Pauliteiros de Sanhoane. Foi a primeira vez que vi este grupo a actuar e gostei bastante. As músicas são as mesmas dos Pauliteiros de Miranda, mas há muitas diferenças nos trajes, nos passos e no próprio bater dos paus, o que torna este folclore ainda mais interessante. As últimas músicas já foram dançadas na Praça da Misericórdia.
Perto das cinco da tarde, já com um céu esplêndido, concentraram-se todos os músicos, dançarinos e figurantes junto à igreja de S. Francisco para um grande desfile pelas ruas da vila. Não sei se lhe deva chamar Desfile Medieval, Desfile Etnomusical ou se tem outra qualquer designação, mas foi excelente encontrar toda a animação concentrada, caso contrário, nunca me teria cruzado com alguns grupos.
Foi no início do desfile que chegaram algumas das figuras mais características do concelho: o farandulo de Tó, o velho de Vale de Porco, o velho e o chocalheiro de Bruçó. Não sei se me passou despercebido, mas não vi o chocalheiro de Bemposta!
Só para ver todas estas personagens juntas já valia a pena vir a Mogadouro.
O desfile percorreu o centro da vila: Largo Trindade Coelho, Av. Regimento dos Comandos, Av. Nossa Senhora do Caminho, Praça Eng. Duarte Pacheco, Rua Santa Marinha, Rua João de Freitas, Largo da Misericórdia, Castelo. As pessoas saíram à rua para ver o desfile. Foi bonito de se ver.
Quando o cortejo chegou ao Castelo foi lido o foral na janela da torre. Também foi um momento interessante.
Este desfile, à parte os concertos foi um dos pontos altos do festival.
A noite foi animada por Velha Gaiteira, Charanga e Dazkarieh. O grupo Velha Gaiteira encaixa na perfeição nos ritmos e gostos das pessoas do planalto. Tal como Las Çarandas cativaram o público e interagiram com ele. Não me apercebi do grupo Charanga! Houve uma performance musical no meio do público, talvez tenha sido do Charanga.
Entretanto o palco foi preparado para o cabeça de cartaz da noite, Dazkarieh. Dos grandes, este é o grupo que já ouvi mais, em virtude de ter um bom conjunto de CD's lançados. Talvez por ter grandes expectativas o que vi e ouvi não me satisfez completamente.
As noites estiveram sempre muito frias, também pela localização do palco, no ponto mais alto da vila de Mogadouro. O álcool ajudou a aquecer o ambiente, com as tasquinhas a fazerem um bom negócio com cerveja, vinho e sangria. Muitos jovens levaram garrafas de bebidas nas mochilas, que partilhavam entre eles. O ambiente esteve sempre animado, mas sem excessos, pelo menos até ao final dos concertos.
Anterior: Festival Terra Transmontana 1/3
Continua: Festival Terra Transmontana 3/3
Uma das características deste festival foi o de que, à parte os concertos pela noite dentro, tudo o resto aconteceu com uma ordem e horário desconhecido do público, pelo que foi difícil acompanhar os acontecimentos.
No primeiro dia do festival fui ao secretaria em busca de um programa mais detalhado, mas não consegui mais do que o que já tinha conseguido na Internet.
A meio da tarde o céu escureceu e choveu com muita intensidade durante bastante tempo. Serviu-me de abrigo a torre do castelo. Nunca esperei tal utilidade, mas aproveitei o tempo para alinhar algumas fotografias.
Terminada a chuva o recinto estava encharcado e desértico, mas rapidamente ganhou vida. A tenda da Taberna/restaurante serviu de salão para a actuação dos Pauliteiros de Sanhoane. Foi a primeira vez que vi este grupo a actuar e gostei bastante. As músicas são as mesmas dos Pauliteiros de Miranda, mas há muitas diferenças nos trajes, nos passos e no próprio bater dos paus, o que torna este folclore ainda mais interessante. As últimas músicas já foram dançadas na Praça da Misericórdia.
Perto das cinco da tarde, já com um céu esplêndido, concentraram-se todos os músicos, dançarinos e figurantes junto à igreja de S. Francisco para um grande desfile pelas ruas da vila. Não sei se lhe deva chamar Desfile Medieval, Desfile Etnomusical ou se tem outra qualquer designação, mas foi excelente encontrar toda a animação concentrada, caso contrário, nunca me teria cruzado com alguns grupos.
Foi no início do desfile que chegaram algumas das figuras mais características do concelho: o farandulo de Tó, o velho de Vale de Porco, o velho e o chocalheiro de Bruçó. Não sei se me passou despercebido, mas não vi o chocalheiro de Bemposta!
Só para ver todas estas personagens juntas já valia a pena vir a Mogadouro.
O desfile percorreu o centro da vila: Largo Trindade Coelho, Av. Regimento dos Comandos, Av. Nossa Senhora do Caminho, Praça Eng. Duarte Pacheco, Rua Santa Marinha, Rua João de Freitas, Largo da Misericórdia, Castelo. As pessoas saíram à rua para ver o desfile. Foi bonito de se ver.
Quando o cortejo chegou ao Castelo foi lido o foral na janela da torre. Também foi um momento interessante.
Este desfile, à parte os concertos foi um dos pontos altos do festival.
A noite foi animada por Velha Gaiteira, Charanga e Dazkarieh. O grupo Velha Gaiteira encaixa na perfeição nos ritmos e gostos das pessoas do planalto. Tal como Las Çarandas cativaram o público e interagiram com ele. Não me apercebi do grupo Charanga! Houve uma performance musical no meio do público, talvez tenha sido do Charanga.
Entretanto o palco foi preparado para o cabeça de cartaz da noite, Dazkarieh. Dos grandes, este é o grupo que já ouvi mais, em virtude de ter um bom conjunto de CD's lançados. Talvez por ter grandes expectativas o que vi e ouvi não me satisfez completamente.
As noites estiveram sempre muito frias, também pela localização do palco, no ponto mais alto da vila de Mogadouro. O álcool ajudou a aquecer o ambiente, com as tasquinhas a fazerem um bom negócio com cerveja, vinho e sangria. Muitos jovens levaram garrafas de bebidas nas mochilas, que partilhavam entre eles. O ambiente esteve sempre animado, mas sem excessos, pelo menos até ao final dos concertos.
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Continua: Festival Terra Transmontana 3/3
quinta-feira, 24 de julho de 2014
Festival Terra Transmontana 1/3
Prestes a entrar de férias, fui surpreendido pela publicidade ao Festival Terra Transmontana! A designação ia chamar a minha atenção onde quer que a ouvisse, mas quando soube que seria em Mogadouro, aumentou o interesse. Ter um festival "em casa", não é de desperdiçar.
Reservei a sexta à tarde, o sábado e o domingo para não perder nada do grande acontecimento. O que me atraiu em primeiro lugar foi a música. Conheço os Dazkarieh e os Uxu Kalhus já há algum tempo e o folk com com cruzamento de sons e instrumentos do mundo fazem parte dos meus gostos musicais. Do grupo Albaluna não conhecia anda e tratei de conhecer mal conheci o cartaz. Os restantes grupos, todos com uma forte ligação à sonoridade do Planalto Mirandês, nem precisava de me preocupar.
Não cheguei a tempo da cerimónia oficial de abertura, mas devo ter faltado por pouco. A comunicação social ainda se encontrava no local e as pessoas estavam a dar as primeiras voltas a fazer o reconhecimento do terreno.
Começando pela Zona 2 - Feira das Tradições (Praça da Misericórdia), aqui se concentravam os artesãos e expositores de produtos da terra. O espaço é amplo, importante e estava repleto de coisas interessantes. Na Zona 1 - Praça Folk e Tabernas (Largo do Castelo) estava o palco principal e as tabernas.
Não haveria lugar para sede nos dias seguintes (isto sem contar com as nuvens negras que se viam no horizonte). No palco o grupo Albaluna fazia a adaptação ao palco e fiquei logo com a sensação que não ia ficar desiludido. A chamada Zona 3 - tabernas em casas particulares não estava imediatamente visível, vim a conhece-la mais de perto nos dias seguintes.
Não sei onde se enquadrava nesta divisão por zonas o espaço em redor da igreja matriz onde se montou um verdadeiro acampamento medieval, com amostra das profissões e modo de vida dessa época, a exibição de aves de cetraria e o burro mirandês.
Também ficou por apresentar a grande tenda Taberna do S'Cacha (restaurante), onde não faltaram as iguarias da gastronomia transmontana, como os milhos, sopas da cegada, salada de bacalhau, arroz doce ou a famosa posta.
Feito o reconhecimento dos espaços e comprado o copo, as tascas estavam proibidas de venderem bebidas em copos plásticos, foi o momento de aconchegar o estômago para a noite musical que se adivinhava fria, mas não sem antes assistir à actuação da Banda Filarmónica A.H. Bombeiros Voluntários de Mogadouro e um largado grupo de gaiteiros ansiosos por dar ao festival toda a graça e ritmo que a sua música proporciona.
A noite começou com o grupo Las Çarandas, jovens, bonitas, com muito musicalidade e cumplicidade com o público, que mostraram conhecer bem. Apesar do grupo ser da região nunca o tinha visto ao vivo. Gostei bastante. O seu reportório é bastante variado e envolvente não caindo nos erros de alguns grupos de gaiteiros, sempre com o mesmo som e o mesmo ritmo. foi uma alegria, com dança e tudo!
O cabeça de cartaz da noite Albaluna foi a revelação do festival para mim. Fiquei com pena do pouco público que havia, porque este grupo merecia ter uma melhor recepção. Fiquei rendido ao grupo, que como disse não conhecia, mas que vou passar a acompanhar. A sua actuação pereceu-me ainda mais ritmada e melodiosa do que a dos vídeos a que tinha assistido no youtube. Muita energia, muita magia, um bom jogo de luzes, um verdadeiro espectáculo. Foi, sem dúvida, o grupo que mais gostei no festival.
Continua:
Festival Terra Transmontana 2/3
Festival Terra Transmontana 3/3
Reservei a sexta à tarde, o sábado e o domingo para não perder nada do grande acontecimento. O que me atraiu em primeiro lugar foi a música. Conheço os Dazkarieh e os Uxu Kalhus já há algum tempo e o folk com com cruzamento de sons e instrumentos do mundo fazem parte dos meus gostos musicais. Do grupo Albaluna não conhecia anda e tratei de conhecer mal conheci o cartaz. Os restantes grupos, todos com uma forte ligação à sonoridade do Planalto Mirandês, nem precisava de me preocupar.
Não cheguei a tempo da cerimónia oficial de abertura, mas devo ter faltado por pouco. A comunicação social ainda se encontrava no local e as pessoas estavam a dar as primeiras voltas a fazer o reconhecimento do terreno.
Começando pela Zona 2 - Feira das Tradições (Praça da Misericórdia), aqui se concentravam os artesãos e expositores de produtos da terra. O espaço é amplo, importante e estava repleto de coisas interessantes. Na Zona 1 - Praça Folk e Tabernas (Largo do Castelo) estava o palco principal e as tabernas.
Não haveria lugar para sede nos dias seguintes (isto sem contar com as nuvens negras que se viam no horizonte). No palco o grupo Albaluna fazia a adaptação ao palco e fiquei logo com a sensação que não ia ficar desiludido. A chamada Zona 3 - tabernas em casas particulares não estava imediatamente visível, vim a conhece-la mais de perto nos dias seguintes.
Não sei onde se enquadrava nesta divisão por zonas o espaço em redor da igreja matriz onde se montou um verdadeiro acampamento medieval, com amostra das profissões e modo de vida dessa época, a exibição de aves de cetraria e o burro mirandês.
Também ficou por apresentar a grande tenda Taberna do S'Cacha (restaurante), onde não faltaram as iguarias da gastronomia transmontana, como os milhos, sopas da cegada, salada de bacalhau, arroz doce ou a famosa posta.
Feito o reconhecimento dos espaços e comprado o copo, as tascas estavam proibidas de venderem bebidas em copos plásticos, foi o momento de aconchegar o estômago para a noite musical que se adivinhava fria, mas não sem antes assistir à actuação da Banda Filarmónica A.H. Bombeiros Voluntários de Mogadouro e um largado grupo de gaiteiros ansiosos por dar ao festival toda a graça e ritmo que a sua música proporciona.
A noite começou com o grupo Las Çarandas, jovens, bonitas, com muito musicalidade e cumplicidade com o público, que mostraram conhecer bem. Apesar do grupo ser da região nunca o tinha visto ao vivo. Gostei bastante. O seu reportório é bastante variado e envolvente não caindo nos erros de alguns grupos de gaiteiros, sempre com o mesmo som e o mesmo ritmo. foi uma alegria, com dança e tudo!
O cabeça de cartaz da noite Albaluna foi a revelação do festival para mim. Fiquei com pena do pouco público que havia, porque este grupo merecia ter uma melhor recepção. Fiquei rendido ao grupo, que como disse não conhecia, mas que vou passar a acompanhar. A sua actuação pereceu-me ainda mais ritmada e melodiosa do que a dos vídeos a que tinha assistido no youtube. Muita energia, muita magia, um bom jogo de luzes, um verdadeiro espectáculo. Foi, sem dúvida, o grupo que mais gostei no festival.
Continua:
Festival Terra Transmontana 2/3
Festival Terra Transmontana 3/3
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
VI Encontro de Bloguers do Planalto Mirandês
Com tanta coisa a acontecer durante o mês de agosto não foi fácil estar no VI Encontro de Bloguers do Planalto Mirandês. Já tive intenção de ir em edições anteriores e faltei, por isso, juntei várias atividades para o fim de semana e fiz a minha inscrição à última hora.
A minha ligação pessoal com os bloguers do planalto não forte. Conheço alguns, mas quase não acompanho os blogues, por falta de tempo, mas também porque não domino a língua mirandesa, que é aquela em que a maior parte se exprime no concelho de Miranda do Douro e arredores. No entanto, cada um à sua maneira, partilhamos muitos dos gostos, das preocupações, dos sentimentos em relação à terra e isso já é razão mais do que suficiente para eu querer estar presente.
De tal maneira estava entusiasmado que fui o primeiro a chegar ao Centro de Música Tradicional Sons da Terra, em Sendim, ponto de encontro intermédio antes de chegarmos a Bemposta. Foi bom assim, porque tive oportunidade de fazer uma visita guiada mais pormenorizada (agradeço ao Mário Correia).
Foi muito interessante verificar o trabalho desenvolvido mas também apreciar o acervo do próprio centro. Constitui um ponto de referência no campo da música tradicional e já um centro de memória, quer de pessoas, quer de sons. E como a música é uma linguagem universal cabem lá outros sons, de vários locais do mundo, com especial destaque para os da raia, porque é como Mário Correia diz "eles (espanhóis) sabem mais da nossa música do que nós da deles".
Chegaram mais pessoas, umas minhas conhecidas, outras não, entre as quais o Leonel Brito, amigo bloguer do Farrapos da Memória, de Torre de Moncorvo. Afinal não estava lá para o encontro, mas para visitar o centro.
De Sendim partimos para Bemposta, no concelho de Mogadouro, onde iria decorrer o encontro. Curiosamente a aldeia de Bemposta foi das últimas aldeias do concelho de Mogadouro que visitei, ainda há pouco tempo atrás, por isso estava com vontade de complementar a recolha fotográfica que fiz nessa altura.
À chegada a Bemposta já estava um bom número de pessoas à espera, acompanhados pelo senhor Presidente da Junta de Freguesia que nos deu as boas vindas e nos acompanhou pela aldeia.
O ambiente era de boa disposição; a maior parte das pessoas já são amigas. À exceção de mim e de mais duas ou três, todos tinham participado em encontros anteriores.
Com mais de uma hora de atraso começámos a visita aos pontos mais importantes da aldeia.
A Capela do Santo Cristo foi-nos apresentada pelo Sr. Padre Bento Pires, que se encontrava no local no final de uma celebração. Os frescos descobertos por detrás do reboco são fantásticos mereceriam maior atenção se tivéssemos entidades mais responsáveis na área do património. Quem conhece a capela de Nossa Senhora da Teixeira, perto de Torre de Moncorvo, e acompanha o que se está a passar lá, não tem muita esperança numa possível recuperação da capela de Santo Cristo.
Percorremos as principais ruas da aldeia com paragens junto aos monumentos e elementos de maior relevância: Solar dos Marcos, Capela de S. Sebastião, Igreja Matriz, Capela de Sta Bárbara, restos das muralhas do castelo, brasões da aldeia, pelourinho, etc. Felizmente tínhamos connosco um conjunto de pessoas da terra com profundos conhecimentos, incluindo históricos: Presidente da Junta, António Cangueiro e José Maria Curralo. Até tivemos direito a mata-bicho em casa de António Cangueiro, um edifício com uma bonita traça, recuperado com bom gosto. Obrigado.
Já conhecia a maior parte dos locais, mas visitá-los com tão ilustres anfitriões deu-nos o privilégio de ouvirmos histórias das suas vivência e de curiosidades que, doutra forma, nunca chegaríamos a saber.
Uma das maiores surpresas (para além do mata-bicho) foi o aparecimento do famosos chocalheiro de Bemposta. Foi a primeira vez que o vi. É uma figura que merece alguma atenção e fotografias aqui no blogue, mas isso ficará para outra altura.
Já perto das duas da tarde descemos junto do Douro para o almoço. As mesas distribuídas à sombra dos choupos levou à criação de pequenos grupos. Na minha mesa estavam pessoas de Genísio, Cicouro, S. Martinho de Angueira e um grupo de espanhóis. Da ementa, completa e equilibrada, temperada com um bom vinho, destaco uma das iguarias da entrada: orelha de porco.
Durante a refeição tocou o telemóvel de um dos mordomos, era, nem mais nem menos, Amadeu Ferreira, sendinês apreciado por todos, mentor destes encontros, a atravessar um momento difícil. O telefonema trouxe mais alegria ao grupo.
Terminada a refeição, que teve a presença de um representante da autarquia Mogadourense (João Henriques), regressámos à aldeia, mais concretamente à Junta de Freguesia para vermos uma apresentação eletrónica sobre a história da aldeia, apresentada e comentada por um seu profundo conhecedor, José Carlos. Só foi pena que estivesse um calor intenso, porque seria um bom momento para o grupo conversar.
Foram apresentados os nomes das três pessoas, mordomos, que tratarão de organizar o encontro do próximo ano: Adelaide Monteiro, Teresa Almeida e Tiégui Alves.
Entregues algumas lembranças do encontro, grande parte dos participantes despediu-se, mas um grupo aproveitou para visitar a Capela de S. Sebastião, porque, entretanto, tinham conseguido a chave. Na paz do seu interior foram lidos poemas do livro "Ars Vivendi, Ars Moriendi” de Fracisco Niebro, poesia de alta qualidade como o próprio irmão do autor Manuel Ferreira reconheceu.
E foi com a língua mirandesa que terminou este encontro, com poesia, a que se eleva das paisagens ressequidas do verão no planalto e que fazem destas terras, terras de encantamento, onde a simples contemplação da linha do horizonte acalma a alma dos que por aqui vem e dos que por cá passam.
Como balanço, foi muito positiva a minha participação neste encontro. Fui bem recebido, senti-me bem, apesar de não conhecer a maior parte das pessoas e de não ter estado em nenhum dos encontros anteriores.
Ao que me pude aperceber, a origem destes encontros tem muito a ver com a língua mirandesa e é um dos elementos que mais une os participantes. Se a ideia é estender o encontro a bloguers (e porque não fotógrafos?) de todos o Planalto Mirandês o grupo terá que ser mais aberto, ou nem todos se sentirão bem nele.
Espero puder estar presente no próximo ano. Até lá... muitas vezes nos vamos cruzar nas estradas do planalto.
Foi muito interessante verificar o trabalho desenvolvido mas também apreciar o acervo do próprio centro. Constitui um ponto de referência no campo da música tradicional e já um centro de memória, quer de pessoas, quer de sons. E como a música é uma linguagem universal cabem lá outros sons, de vários locais do mundo, com especial destaque para os da raia, porque é como Mário Correia diz "eles (espanhóis) sabem mais da nossa música do que nós da deles".
Chegaram mais pessoas, umas minhas conhecidas, outras não, entre as quais o Leonel Brito, amigo bloguer do Farrapos da Memória, de Torre de Moncorvo. Afinal não estava lá para o encontro, mas para visitar o centro.
De Sendim partimos para Bemposta, no concelho de Mogadouro, onde iria decorrer o encontro. Curiosamente a aldeia de Bemposta foi das últimas aldeias do concelho de Mogadouro que visitei, ainda há pouco tempo atrás, por isso estava com vontade de complementar a recolha fotográfica que fiz nessa altura.
À chegada a Bemposta já estava um bom número de pessoas à espera, acompanhados pelo senhor Presidente da Junta de Freguesia que nos deu as boas vindas e nos acompanhou pela aldeia.
O ambiente era de boa disposição; a maior parte das pessoas já são amigas. À exceção de mim e de mais duas ou três, todos tinham participado em encontros anteriores.
Com mais de uma hora de atraso começámos a visita aos pontos mais importantes da aldeia.
A Capela do Santo Cristo foi-nos apresentada pelo Sr. Padre Bento Pires, que se encontrava no local no final de uma celebração. Os frescos descobertos por detrás do reboco são fantásticos mereceriam maior atenção se tivéssemos entidades mais responsáveis na área do património. Quem conhece a capela de Nossa Senhora da Teixeira, perto de Torre de Moncorvo, e acompanha o que se está a passar lá, não tem muita esperança numa possível recuperação da capela de Santo Cristo.
Percorremos as principais ruas da aldeia com paragens junto aos monumentos e elementos de maior relevância: Solar dos Marcos, Capela de S. Sebastião, Igreja Matriz, Capela de Sta Bárbara, restos das muralhas do castelo, brasões da aldeia, pelourinho, etc. Felizmente tínhamos connosco um conjunto de pessoas da terra com profundos conhecimentos, incluindo históricos: Presidente da Junta, António Cangueiro e José Maria Curralo. Até tivemos direito a mata-bicho em casa de António Cangueiro, um edifício com uma bonita traça, recuperado com bom gosto. Obrigado.
Já conhecia a maior parte dos locais, mas visitá-los com tão ilustres anfitriões deu-nos o privilégio de ouvirmos histórias das suas vivência e de curiosidades que, doutra forma, nunca chegaríamos a saber.
Uma das maiores surpresas (para além do mata-bicho) foi o aparecimento do famosos chocalheiro de Bemposta. Foi a primeira vez que o vi. É uma figura que merece alguma atenção e fotografias aqui no blogue, mas isso ficará para outra altura.
Já perto das duas da tarde descemos junto do Douro para o almoço. As mesas distribuídas à sombra dos choupos levou à criação de pequenos grupos. Na minha mesa estavam pessoas de Genísio, Cicouro, S. Martinho de Angueira e um grupo de espanhóis. Da ementa, completa e equilibrada, temperada com um bom vinho, destaco uma das iguarias da entrada: orelha de porco.
Durante a refeição tocou o telemóvel de um dos mordomos, era, nem mais nem menos, Amadeu Ferreira, sendinês apreciado por todos, mentor destes encontros, a atravessar um momento difícil. O telefonema trouxe mais alegria ao grupo.
Terminada a refeição, que teve a presença de um representante da autarquia Mogadourense (João Henriques), regressámos à aldeia, mais concretamente à Junta de Freguesia para vermos uma apresentação eletrónica sobre a história da aldeia, apresentada e comentada por um seu profundo conhecedor, José Carlos. Só foi pena que estivesse um calor intenso, porque seria um bom momento para o grupo conversar.
Foram apresentados os nomes das três pessoas, mordomos, que tratarão de organizar o encontro do próximo ano: Adelaide Monteiro, Teresa Almeida e Tiégui Alves.
E foi com a língua mirandesa que terminou este encontro, com poesia, a que se eleva das paisagens ressequidas do verão no planalto e que fazem destas terras, terras de encantamento, onde a simples contemplação da linha do horizonte acalma a alma dos que por aqui vem e dos que por cá passam.
Como balanço, foi muito positiva a minha participação neste encontro. Fui bem recebido, senti-me bem, apesar de não conhecer a maior parte das pessoas e de não ter estado em nenhum dos encontros anteriores.
Espero puder estar presente no próximo ano. Até lá... muitas vezes nos vamos cruzar nas estradas do planalto.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Nossa Senhora do Caminho (2011)
As festas de Nossa Senhora do Caminho tiveram início no dia 06 de Agosto, mas os dias fortes foram os dias 27 e 28. Esta festa rivaliza com as maiores que se realizam no distrito, juntando milhares de pessoas, quer na componente religiosa, quer nos espetáculos musicais e feira.
Acompanhei as festas nos dias 27 e 28.
A festa de Nossa Senhora do Caminho é igual e diferente das restantes grandes festas e romarias. A semelhança está na alegria, no movimento de pessoas e no comércio que rodeia estes eventos. Tal como noutras festas, o comércio mais representativo são os vendedores do norte de África, mas que vendem marcas famosas e caras. Na minha opinião, a diferença está na fé, no respeito e na forma como decorrem as procissões de Sábado e de Domingo.
Mogadouro é um concelho agrícola, onde se movimenta muito dinheiro. Mas é também um concelho de emigração, principalmente para Espanha. O mês de Agosto é o mês em que Mogadouro se enche de pessoas, em que os emigrantes regressam à terra natal, em que se visita a família e se reveem os amigos. Os momentos altos do mês são, sem dúvida, a Festa de S. Ambrósio (esta no concelho de Macedo de Cavaleiros, mas bastante frequentada por Mogadourenses) e a Nossa Senhora do Caminho (isto quando as duas não coincidem na mesma data).
Realizam-se duas grandes procissões, uma no Sábado, outra no Domingo. Tradicionalmente a procissão do Sábado era mais curta e com menos gente, do que a de Domingo. Na atualidade as coisas não são bem assim. Foram muitas centenas de crentes que participaram na procissão e milhares os que assistiram à sua passagem. Depois da celebração da Eucaristia, com um sermão à moda antiga, prepararam-se os anjinhos, em grande número e formam-se as tradicionais quatro filas de pessoas que cumprem promessas. São muitas pessoas, novas ou de mais idade, principalmente do sexo feminino. A maior parte faz o percurso da procissão descalça, segurando uma vela acesa. Há apenas um andor, o de Nossa Senhora do Caminho, decorado com flores naturais, de cores brancas e azuis em sintonia com as cores da imagem, muito, muito bonita.
Do decurso da procissão verifica-se, mesmo nas pessoas que assistem, um silêncio e um respeito já pouco habituais nos tempos que correm. Não sei se há fé nas pessoas que veem a procissão passar do passeio, ou nas varandas, mas já fico admirado só pelo respeito.
No Domingo repetem-se os cenários, mas com muito mais gente a assistir e a participar nos atos religiosos. A procissão faz um percurso maior, contornando o castelo e fazendo uma entrada triunfal na alameda do recinto do santuário. Tal como no Sábado, duas bandas de música abrilhantaram a procissão e dois elementos da GNR montados a cavalo abriam caminho na cabeça da mesma.
À chegada do andor a ermida é lançada uma salva de morteiro que faz tremer as pedras da calçada e disparar os alarmes dos automóveis.
As noites são animadas, com variados conjuntos musicais, quase sempre dois. No Sábado o nome sonante foi José Cid. O recinto esteve cheio e, estou certo que o artista ficou muito feliz com a assistência a fazer coro em todas as canções que cantou. Não deixa de ser surpreendente, uma vez que estamos a falar de sucessos, alguns deles com mais de 30 anos! Não havia só cabelos brancos na assistência; muitos jovens também apreciam as baladas melodiosas do José Cid.
O conjunto de mordomos das festas está de parabéns. Foi um prazer participar nas Festas de Nossa Senhora do Caminho 2011.
Acompanhei as festas nos dias 27 e 28.
A festa de Nossa Senhora do Caminho é igual e diferente das restantes grandes festas e romarias. A semelhança está na alegria, no movimento de pessoas e no comércio que rodeia estes eventos. Tal como noutras festas, o comércio mais representativo são os vendedores do norte de África, mas que vendem marcas famosas e caras. Na minha opinião, a diferença está na fé, no respeito e na forma como decorrem as procissões de Sábado e de Domingo.
Mogadouro é um concelho agrícola, onde se movimenta muito dinheiro. Mas é também um concelho de emigração, principalmente para Espanha. O mês de Agosto é o mês em que Mogadouro se enche de pessoas, em que os emigrantes regressam à terra natal, em que se visita a família e se reveem os amigos. Os momentos altos do mês são, sem dúvida, a Festa de S. Ambrósio (esta no concelho de Macedo de Cavaleiros, mas bastante frequentada por Mogadourenses) e a Nossa Senhora do Caminho (isto quando as duas não coincidem na mesma data).
Realizam-se duas grandes procissões, uma no Sábado, outra no Domingo. Tradicionalmente a procissão do Sábado era mais curta e com menos gente, do que a de Domingo. Na atualidade as coisas não são bem assim. Foram muitas centenas de crentes que participaram na procissão e milhares os que assistiram à sua passagem. Depois da celebração da Eucaristia, com um sermão à moda antiga, prepararam-se os anjinhos, em grande número e formam-se as tradicionais quatro filas de pessoas que cumprem promessas. São muitas pessoas, novas ou de mais idade, principalmente do sexo feminino. A maior parte faz o percurso da procissão descalça, segurando uma vela acesa. Há apenas um andor, o de Nossa Senhora do Caminho, decorado com flores naturais, de cores brancas e azuis em sintonia com as cores da imagem, muito, muito bonita.
Do decurso da procissão verifica-se, mesmo nas pessoas que assistem, um silêncio e um respeito já pouco habituais nos tempos que correm. Não sei se há fé nas pessoas que veem a procissão passar do passeio, ou nas varandas, mas já fico admirado só pelo respeito.
No Domingo repetem-se os cenários, mas com muito mais gente a assistir e a participar nos atos religiosos. A procissão faz um percurso maior, contornando o castelo e fazendo uma entrada triunfal na alameda do recinto do santuário. Tal como no Sábado, duas bandas de música abrilhantaram a procissão e dois elementos da GNR montados a cavalo abriam caminho na cabeça da mesma.
À chegada do andor a ermida é lançada uma salva de morteiro que faz tremer as pedras da calçada e disparar os alarmes dos automóveis.
As noites são animadas, com variados conjuntos musicais, quase sempre dois. No Sábado o nome sonante foi José Cid. O recinto esteve cheio e, estou certo que o artista ficou muito feliz com a assistência a fazer coro em todas as canções que cantou. Não deixa de ser surpreendente, uma vez que estamos a falar de sucessos, alguns deles com mais de 30 anos! Não havia só cabelos brancos na assistência; muitos jovens também apreciam as baladas melodiosas do José Cid.
O conjunto de mordomos das festas está de parabéns. Foi um prazer participar nas Festas de Nossa Senhora do Caminho 2011.
Local:
Mogadouro, Portugal
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