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quinta-feira, 10 de abril de 2008

Chegaram os cogumelos de Primavera

Pantorra é a espécie mais apetecida nesta época do ano, mas difícil de encontrar

A época de Outono não é a única estação do ano rica em cogumelos silvestres. Os meses de Abril e Maio são ideias para procurar estes fungos, únicos do ponto de vista gastronómico e medicinal.

Nesta época, no Planalto Mirandês e no Vale do Sabor nascem e crescem as Pantorras (Morchella Esculenta) que para alguns especialistas são considerados um dos três melhores cogumelos que se conhecem, só superados pela Trufa.
A Pantorra é muito apreciada em várias regiões do País e a restauração começa a incluir este fungo nos seus cardápios, já que liga bem com pratos de carne ou peixe. O petisco pode mesmo ser saboreado sem qualquer outro acompanhamento.
A forma do seu chapéu faz lembrar favos de mel. Com uma cor castanha e pé branco, estes cogumelos podem ser encontrados em zona húmidas próximas dos cursos de água, junto a eucaliptos ou outras árvores em sítios ricos em húmus.
Segundo Eliseu Amaro, chefe de cozinha e apreciador de cogumelos, “a Pantorra tem um sabor intenso pelo que pode ser incluída na chamada cozinha de elite, porque o seu paladar fica retido na memória gustativa durante algum tempo”.

Quem procura Pantorras certamente não será para vender

Na região trasmontana este cogumelo ainda se encontra com alguma facilidade, mas é preciso conhecer bem os locais onde se desenvolve. Quem procura Pantorras certamente não será para vender, dado tratar-se de “um autêntico manjar dos Deuses”.
Quando colocados frescos no mercado, cada quilo (que poderá corresponder de 40 a 50 fungos) pode rondar os 100 euros, mas há quem pague mais só para apreciar esta iguaria. “A sua ‘carne’ branca e a consistência esponjosa apresenta um sabor suave, sendo de alta qualidade”, explica o cozinheiro.
Por isso, todos os anos, por altura da Primavera, as pessoas partem à descoberta destes fungos, em que a humidade dos solos e o calor são factor determinante no seu aparecimento.
“Este ano não está correr bem. Se já as Pantorras são raras, com a falta de chuva é preciso procurar bem e revirar com cuidado os locais que no passado foram bons na apanha”, alega Eliseu Amaro.
Apesar da procura de cogumelos com um objectivo comercial, quem procura um fungo deste tipo fá-lo por gosto.
"O prazer de encontrar duas ou três Pantorras deixa entusiasmados os apreciadores” garante o profissional.

Por: Francisco Pinto
Visto em: Jornal Nordeste

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Apanha de cogumelos sem controlo

Pantorra afirma que colheita é efectuada de forma muito intensiva e sem qualquer tipo de regulamentação

A colheita de cogumelos silvestres de forma muito intensiva e descontrolada está a preocupar a Associação Micológica «A Pantorra».

Segundo esta organização, a forte procura de cogumelos representa riqueza para a “meia dúzia de colectores e intermediários que vêm em carrinhas e os recolhem nas aldeias, normalmente pagando muito pouco face ao valor do produto no mercado”, denuncia o presidente da Pantorra, Francisco Martins.

Ao contrário do que acontecia antigamente, em que os cogumelos estavam associados a populações rurais e à pequena economia doméstica, hoje existem “apanhadores” que vêm de fora, empresas de comércios ou transformação. A produção deixou, assim, de ser um bem natural de determinada região, para passar a ser alvo de cobiça de pessoas que chegam de diversos locais em busca de cogumelos que são vendidos a “peso de ouro”.

A situação em Trás-os-Montes é motivo de preocupação, devido à apanha descontrolada, que poderá colocar em risco o futuro das espécies mais procuradas e, consequentemente, afectar a débil economia ligada a este sector. “Há mais gente a colher cogumelos e apanham logo que aparecem, sem os deixarem desenvolver. Não há regras de colecta e apanha-se à toa”, acrescenta Guilhermina Marques, docente na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

Colheita de cogumelos em Espanha está regulamentada e organizada

Ao contrário do que se passa em Portugal, nalgumas regiões de Espanha a colheita e comercialização de cogumelos está regulamentada de modo a organizar e normalizar a recolha.

Neste sentido, a Associação para o Desenvolvimento de Aliste, Tábara e Alba, com o apoio do Ministério da Agricultura e da Junta de Castela e Leão e enquadramento científico do Instituto de Restauração e Meio Ambiente, criou um guia com conselhos e regras quanto à recolecção e consumo de cogumelos.
Deste modo, os espanhóis conseguem valorizar o seu produto, a partir desta organização e aproveitamento, bem como através da descoordenação portuguesa neste sector, que lhes permite adquirir cogumelos a preços inferiores, levando à sua subvalorização.

Para que esta situação deixe de se verificar, é necessário transformar os cogumelos silvestres num produto tradicional e num recurso com vista ao desenvolvimento local. Assim, é urgente conhecer o produto e a melhor forma de o utilizar, através de estudos, criar regras para um uso sustentável, bem como alertar para as boas práticas de comercialização e transformação. Estes são alguns dos assuntos que fazem parte de investigações levadas a cabo pela UTAD.

Sandra Canteiro, Jornal Nordeste, 2007-11-29
Visto em: Diário de Trás-os-Montes